‘Antigas formas de intolerância estão sendo reavivadas’, ressurge o unilateralismo, adverte o Brasil na Assembléia da ONU

Foto da ONU / Manuel Elias
O Presidente Michel Temer, do Brasil, discursa na trigésima terceira sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas.
25 de setembro de 2018

O primeiro Chefe de Estado a abordar o trigésimo terceiro debate geral da Assembléia Geral das Nações Unidas, Michel Temer, Presidente do Brasil, denunciou a crescente onda de isolacionismo, intolerância e unilateralismo que estava desafiando a ordem internacional.

“Vivemos em tempos nublados por forças isolacionistas. Velhas intolerâncias estão ressurgindo. Recaídas unilaterais são cada vez menos a exceção. Mas esses desafios não devem – não podem – nos intimidar ”, afirmou o presidente.

Dizendo que a ordem coletiva “serviu as maiores causas da humanidade”, Temer observou que “por mais imperfeito que seja”, devemos defender sua integridade.

Ele enfatizou que o isolacionismo deve ser respondido com “mais abertura, mais integração”, dizendo que o desenvolvimento comum depende dos fluxos internacionais de comércio e investimento; e novas idéias e tecnologias.

Ao abrir para outros, “construiremos uma prosperidade efetivamente compartilhada”, afirmou.

Disse que mecanismos de integração aprofundados entre o Brasil e o Mercosul produziram “resultados concretos … com impacto direto no dia a dia”.

Dizendo que o Brasil segue uma política externa universalista, ele destacou: “É com abertura e integração que alcançamos harmonia, crescimento, progresso”.

Ele disse que seu país responde à intolerância “com diálogo e solidariedade”.

Reconhecendo que as violações das normas internacionais persistem nos mais diversos quadrantes, ele afirmou que o Brasil tem trabalhado para preservar a democracia e os direitos humanos na América Latina. 

Ele destacou que o Brasil recebeu dezenas de milhares de venezuelanos que deixaram seu país “em busca de condições dignas de vida” e, com a colaboração do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados ( ACNUR ), construiu abrigos para apoiá-los. .

“Emitimos documentos que lhes permitem trabalhar no país. Oferecemos escola para crianças, serviços de vacinação e saúde para todos. Mas sabemos que a solução para a crise só virá quando a Venezuela redescobrir o caminho do desenvolvimento ”, detalhou o presidente.

Quando confrontado pelo unilateralismo, Temer disse que o Brasil responde, “com mais diplomacia, mais multilateralismo” porque “problemas coletivos exigem respostas articuladas coletivamente”.

Chamando a ONU de “o lar do entendimento”, ele instou todos a fortalecer a Organização e torná-la mais “legítima e eficaz”, inclusive reformando o Conselho de Segurança para refletir o mundo atual.

“Precisamos revigorar os valores da diplomacia e do multilateralismo”, disse Temer, observando que ele foi o primeiro chefe de Estado a assinar o Tratado de Proibição de Armas Nucleares. 

Ele também enumerou as ações do Brasil em apoio à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e ao Acordo de Paris – “marcos reais” que “nos colocam no caminho do crescimento econômico com justiça social e respeito ao meio ambiente”.

Ele garantiu à Assembléia que o Brasil continuará sendo “um aliado firme da cooperação entre as nações”.

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